Limitar ao máximo os despedimentos

download documento

A Alemanha sofreu em 2009 uma crise económica duas vezes mais grave do que a França, devido principalmente à importante queda das suas exportações.

No entanto, apesar dum choque económico duas vezes mais forte, o desemprego aumentou na Alemanha 6 vezes menos do que em França[1].

graph_09

Como se pode explicar este “milagre”? Os sindicatos alemães exigiram de Angela Merkel que o despedimento fosse considerado como a solução de último recurso e que a regra geral fosse a de conservar o máximo de trabalhadores e o máximo de competências nas empresas, desenvolvendo o programa Kurzarbeit.

Em que consiste o Kurzarbeit? O princípio é muito simples: em vez de despedir 20% dos seus efetivos se o montante das vendas recuar de 20%, a empresa deverá reduzir o tempo de trabalho de 20%, conservando todos os seus empregados. Os salários baixariam, mas o Estado compensaria a diferença para manter o mesmo nível de rendimentos. Finalmente, é menos dispendioso manter os rendimentos dos trabalhadores que reduziram o seu tempo de trabalho do que financiar um desempregado, se são levados em conta todos os custos induzidos e as perdas de receitas fiscais e sociais.

O ministro do trabalho alemão publicou, em 23 de janeiro de 2011, um relatório bastante completo sobre o funcionamento do Kurzarbeit: esta política envolveu 1.500.000 trabalhadores que, em média baixaram o tempo de trabalho de 31%. Se pensamos que o mundo está a entrar numa nova recessão, ou num período de crescimento muito fraco, é vital do ponto de vista da nossa coesão social que se faça o máximo que seja possível para limitar os despedimentos, inspirando-nos no que foi praticado pela Alemanha desde 2008. É evidente que esta solução é contrária à política do “trabalhar mais” defendida por Nicolas Sarkozy, mas é uma ideia que poderia evitar centenas de milhares de despedimentos suplementares.

 


[1] A evolução do desemprego é calculada entre o ponto mais baixo da curva (o momento em que o desemprego começa a aumentar, devido à crise) e o ponto mais alto (o momento em que o desemprego começa a estabilizar-se ou a diminuir).